Abertura do Agosto das Letras homenageia escritores e apresenta Sarau poético sobre Anayde Beiriz em Belém

A poesia tomou conta da solenidade de abertura do festival literário Agosto das Letras, realizada na noite de ontem (28), na Biblioteca Municipal Profª  Maria Lira, em Belém.  Em sua 4ª edição, o festival é promovido pelo Governo do Estado através da Fundação Espaço Cultural da Paraíba – FUNESC, com o apoio da Prefeitura de Belém por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com o objetivo de cultivar a leitura, principalmente entre crianças e jovens.

A prefeita Renata Christinne abriu o evento saudando a presidente da Funesc, Nézia Gomes, os escritores homenageados e o público presente, os quais acompanharam o belo Sarau poético sobre a vida da professora e poetiza paraibana Anayde Beiriz, homenageada nesta edição do Agosto das Letras.

O Agosto das Letras iniciou, na manhã da terça-feira, com a oficina Musicalização para Crianças, com Dany Danielle e a Contação da Rua, na Creche Lucila Ramalho. Já na noite de hoje (29), às 19h, o público poderá assistir ao espetáculo de literatura dramatizada “Música e Poesia em caminhos de versos”, com o grupo Frente Trovadora. A apresentação tem como palco a Praça 6 de Setembro.

A caravana do Agosto das Letras encerra sua passagem por Belém na quinta-feira (30). Às 10h a Cia. Boca de Cena apresenta o espetáculo Colcha de Retalhos, na Escola Municipal Francisca Leite Braga.

Quem foi Anayde Beiriz? – Professora e poetisa nascida em João Pessoa em 18 de fevereiro de 1905 e morta em 22 de outubro de 1930, em Recife (PE), aos 25 anos

Tem seu nome ligado à História da Paraíba, devido à tragédia em que foi envolvida, juntamente com o advogado e jornalista João Duarte Dantas, com quem mantinha um relacionamento amoroso. Para a mentalidade conservadora da sociedade brasileira à época, particularmente na Paraíba, Anayde não era uma mulher bem vista por causa das ideias progressistas que alimentava: como poetisa, participava ativamente do movimento intelectual, envolvida em acontecimentos artísticos e frequentando saraus literários. Como cidadã, defendia a participação das mulheres na política, em uma época em que sequer podiam votar.

Criticada publicamente por razões morais e políticas, Anayde sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa por João Dantas, que causou comoção popular. Desse modo, abandonou a sua residência na Paraíba e foi morar em um abrigo no Recife, onde passou a visitar João Dantas, detido em flagrante e recolhido à Casa de Detenção daquela cidade. Dantas foi posteriormente encontrado morto em sua cela, degolado, em 3 de outubro do mesmo ano, no início da Revolução de 1930. Embora tenha sido declarado o suicídio como causa mortis na época, as circunstâncias ainda permanecem obscuras. Anayde, aos 25 anos de idade, morreu dias após Dantas, supostamente por auto envenenamento. Foi sepultada como indigente no Cemitério de Santo Amaro.

Com informações da Funesc

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